Jejum no Ramadã prejudica o desempenho no MMA? Os dados
O jejum no Ramadã prejudica o desempenho no MMA? Veja estudos sobre força, potência e resistência, as escolhas de Khabib e Chimaev e os limites dos dados.


Resposta rápida
O jejum no Ramadã pode afetar o desempenho no MMA. Mas as evidências não apontam uma queda automática na força ou no gás de todo lutador. Esforços curtos e repetidos parecem mais vulneráveis que testes isolados de força. Pequenos estudos com atletas de combate divergem, e nenhum dos trabalhos analisados aqui mede a probabilidade de vitória no UFC. Khabib Nurmagomedov e Khamzat Chimaev mostram por que lutadores podem ajustar o calendário ao Ramadã, mas suas escolhas não são experimentos controlados. Para analisar um confronto, você precisa de informações confirmadas sobre camp, refeições, líquidos, sono e horário da luta. A religião não revela nada disso.
Panorama dos dados: Pesquisas publicadas em 2020–2026: uma meta-análise de 11 estudos, uma análise de 14 revisões e testes separados com 24 atletas de combate e 9 de silat. Esses trabalhos medem desempenho físico, não resultados no UFC.
O que muda quando um lutador observa o Ramadã?
O jejum no Ramadã restringe alimentos e líquidos do amanhecer ao pôr do sol. Isso o diferencia de uma dieta de treino que permite beber água durante o dia. As diretrizes de exercício da Aspetar tratam refeições, hidratação, sono e horários de treino como questões interligadas.
Você precisa separar o calendário da rotina real do atleta. Treinar em jejum, treinar depois do iftar e competir após o Ramadã são situações diferentes. O iftar é a refeição que encerra o jejum ao pôr do sol. O suhoor é a refeição antes do amanhecer.
Na análise de uma luta, importa saber o que mudou dentro do camp. Os treinos pesados mudaram de horário? O sono mudou? O atleta conseguiu manter a carga prevista? Esses detalhes dizem mais que contar dias no calendário.
Não deduza a prática do jejum pelo nome ou pela nacionalidade de um lutador. Mesmo confirmar a observância religiosa não revela quando ele comeu, bebeu ou treinou antes de determinado combate.
O que os estudos de desempenho realmente mostram?
As pesquisas dão uma resposta mista porque medem tarefas diferentes. Levantar uma carga pesada, dar um salto e sustentar um esforço intenso não são testes equivalentes.
Abd-Elbasset Abaïdia e colegas reuniram 11 estudos em sua meta-análise de 2020. Encontraram menores valores de potência máxima e média nos testes Wingate ou de sprints repetidos. O teste Wingate exige esforço máximo em uma bicicleta ergométrica. Na análise conjunta, não identificaram prejuízo em outras medidas, incluindo força, altura do salto e desempenho aeróbico.
Dois artigos publicados em 2026 tornam essa diferença concreta: o grupo de Abdullah Demirli testou 24 homens que praticavam esportes de combate. A equipe de Jacky Hou An Ong estudou 9 homens que competiam nacionalmente no pencak silat. Nenhum grupo era composto por um elenco confirmado de atletas do UFC.
| Estudo | Amostra e comparação | Resultado relatado | O que não permite concluir |
|---|---|---|---|
| Abaïdia, 2020 | 11 estudos; jejum no Ramadã e desempenho físico | Menor potência nos testes Wingate ou de sprints repetidos; várias outras medidas sem alteração | Uma queda geral em todas as capacidades físicas |
| Demirli, 2026 | 24 homens; controle sem jejum e diferentes condições nutricionais em jejum | Relato de menor potência no Wingate e força no supino em algumas condições de jejum. Nenhuma diferença significativa no leg press, salto ou preensão | Uma perda de desempenho em lutas do UFC |
| Ong, 2026 | 9 homens; última semana do Ramadã comparada à semana seguinte | Nenhuma diferença significativa nos testes de força e potência realizados separadamente | Que esforços repetidos durante uma luta permanecem iguais |
Interprete cada resultado dentro do que foi medido: a tabela não mostra que o jejum sempre reduz a potência. Mostra por que o teste, a comparação e o grupo de atletas importam.

Por que a força pode se manter enquanto outros testes pioram?
Conseguir produzir um esforço forte não revela sua capacidade de repeti-lo sob fadiga. Esse é o principal problema de medição no MMA.
Imagine um lutador que completa um teste isolado de força com facilidade. Você ainda não mediu tentativas repetidas de queda, disputas defensivas de posição ou decisões sob pressão. Tratar esse teste como uma avaliação completa do gás exige mais do que ele pode oferecer.
O erro inverso também é comum. Uma queda no teste de bicicleta não prova que o lutador perderá as trocas ou cansará primeiro. Há um adversário do outro lado, e técnica, ritmo e escolhas táticas também entram no combate.
Use as evidências de laboratório para identificar o que merece ser investigado, sem escrever antecipadamente o roteiro da luta. No caso de Chimaev, uma pergunta útil trataria dos esforços repetidos de wrestling nas condições reais de seu camp. Esses artigos não respondem a isso sobre ele.
No caso de Nurmagomedov, um ajuste nos treinos explica como ele conduziu a preparação. Não revela qual teria sido seu desempenho com outro calendário.
O que Khabib e Chimaev realmente mostram?
Seus relatos públicos mostram escolhas de calendário, não uma perda fisiológica medida.
Em abril de 2020, o MMA Fighting relatou que Nurmagomedov continuava treinando durante o Ramadã, mas em ritmo reduzido. O relato descreve sua preparação naquela época. Não é uma regra para todo lutador muçulmano nem uma atualização sobre lutas marcadas hoje.
Segundo o MMA Fighting, Chimaev descartou participar do UFC 300 ao falar sobre o Ramadã em fevereiro de 2024. A questão também envolvia a preparação para o evento, não apenas saber se o combate aconteceria durante o dia.
Uma reportagem posterior traz um alerta útil sobre essas explicações. Em novembro de 2025, Chimaev falou em voltar após o Ramadã e também revelou uma cirurgia programada no pé. Atribuir todo aquele adiamento ao jejum apagaria um fator documentado: a lesão.
Esses relatos separados, com datas específicas, não estabelecem a rotina atual de treino de nenhum dos lutadores. Também mostram por que uma análise honesta precisa distinguir a preferência declarada pelo atleta de uma conclusão científica.
Você pode respeitar a escolha de calendário sem afirmar que o atleta perderia se decidisse de outra forma.
Lutar depois do pôr do sol resolve a questão?
Uma luta à noite e um treino durante o dia levantam questões diferentes. Depois do pôr do sol, o atleta em jejum pode comer e beber. Isso, por si só, não revela como foi o camp anterior.
A orientação da Aspetar favorece organizar atividades exigentes perto dos períodos com acesso a alimentos e líquidos, preservando o sono. Adiar um treino também desloca o período de recuperação. O calendário inteiro precisa funcionar, não apenas um treino parecer ideal quando analisado sozinho.
Isso importa quando você lê que uma luta acontecerá depois do Ramadã. A data do evento não descreve as semanas anteriores de preparação nem prova que elas foram prejudicadas.
Procure a informação que falta. Houve uma interrupção documentada dos treinos ou apenas uma suposição baseada na data? Sem essa distinção, uma análise pelo calendário pode parecer precisa e informar pouco.

O Ramadã permite prever resultados no UFC?
As fontes analisadas aqui não fornecem um ajuste validado pelo Ramadã para a probabilidade de vitória no UFC. Uma mudança de desempenho no laboratório não pode ser convertida diretamente em mudança nas cotações de apostas.
Um estudo confiável sobre resultados precisaria primeiro confirmar quem realmente fez jejum. Classificar todo lutador muçulmano como praticante do jejum distorceria a própria variável estudada. Considerar apenas lutas durante o Ramadã também excluiria camps que coincidiram com o mês antes de um combate posterior.
O estudo precisaria considerar qualidade do adversário, idade, categoria, informações sobre lesões e horário da luta. Deveria distinguir o jejum no dia do combate daquele feito durante a preparação. Participações repetidas do mesmo atleta também exigiriam atenção.
A seleção cria outro problema: lutadores que aceitam essas datas podem ser diferentes daqueles que as recusam. Seus resultados descreveriam esse grupo selecionado, não todos os atletas que observam o Ramadã.
Se você acompanha seus prognósticos, registre as informações confirmadas sobre o camp separadamente da sua interpretação. Não aplique uma penalidade geral pelo jejum. Informação ausente deve continuar ausente, sem virar uma explicação categórica depois do resultado.
Como lutadores e treinadores devem usar essas evidências?
Use os dados para planejar e acompanhar, em vez de copiar a agenda de um lutador famoso. A orientação da Aspetar apoia ajustes individuais no treino, na alimentação, na hidratação e no sono. Não oferece uma fórmula garantida para vencer lutas.
Uma avaliação prática pode se concentrar em algumas perguntas:
- Os horários permitem alimentação, líquidos e recuperação adequados em torno dos treinos exigentes?
- O atleta mantém a qualidade de treino prevista ou relata quedas repetidas?
- A mudança de horário dos treinos alterou o sono de formas que a equipe não acompanhou?
- A recuperação de lesões e o controle de peso estão sendo avaliados separadamente do jejum?
Essas perguntas permitem revisar o planejamento. Também ajudam a evitar culpar o Ramadã por todo treino ruim ou ignorar um problema porque outro atleta se adapta bem.
Para atletas de categorias de peso, a Aspetar aconselha planejar o peso de competição antes do Ramadã. Fazer jejum não comprova que um corte agressivo de peso seja seguro. Questões médicas pessoais cabem a um médico qualificado; o planejamento alimentar, a um nutricionista esportivo qualificado.
Qual é a qualidade desses dados?
Há evidências para contestar afirmações genéricas, mas elas ainda não bastam para prever uma luta específica.
A análise de Khaled Trabelsi, publicada em 2024, incluiu 14 revisões sistemáticas e classificou a qualidade dos métodos de baixa a criticamente baixa. Os resultados associaram a observância do Ramadã a pior desempenho em exercícios de alta intensidade, além de mudanças no sono e outros fatores.
Os estudos diretos com atletas de combate são pequenos e incluem apenas homens, enquanto testes de silat não são lutas do UFC. A ausência de significância estatística em 9 atletas não prova que inexista um efeito relevante.
O teste de controle de Demirli também ocorreu antes do Ramadã. Os métodos descrevem oferecer água a alguns atletas antes dos testes, sem explicar claramente como isso se aplicava durante o jejum. Essa ambiguidade no relato limita as conclusões sobre a restrição de líquidos.
As revisões também podem incluir estudos em comum, portanto suas amostras não podem ser simplesmente somadas. Horários de teste e períodos de comparação diferentes tornam enganosa uma porcentagem única como manchete.
Este artigo reúne pesquisas publicadas e reportagens datadas sobre lutadores. Não apresenta um estudo original da AgentMMA sobre resultados, uma taxa de vitórias no Ramadã ou uma estimativa de perda individual de desempenho.
Perguntas frequentes
Lutadores do UFC podem lutar durante o Ramadã?
Sim. O Ramadã não significa que todo lutador muçulmano pare de competir, pois as escolhas pessoais e a preparação variam. Uma luta marcada durante o mês também não confirma se determinado atleta fez jejum no dia do combate.
O jejum no Ramadã reduz a força ou o gás?
Não de maneira uniforme. A meta-análise de 11 estudos encontrou menor potência em alguns testes exigentes, mas nenhuma redução conjunta de força ou desempenho aeróbico. Pequenos estudos com atletas de combate também divergem, e a tarefa e as condições importam.
Por que Khabib evitava lutas perto do Ramadã?
Reportagens da época descrevem Nurmagomedov ajustando a preparação e reduzindo o ritmo dos treinos durante o Ramadã. Isso explica sua organização do calendário. Não estabelece um período obrigatório de recuperação nem prova que todo lutador em jejum tenha pior desempenho.
Treinar depois do iftar é melhor para o MMA?
Isso permite comer e beber perto do treino, o que pode facilitar a organização de sessões exigentes. A orientação da Aspetar também pede que as equipes preservem o sono. O melhor horário depende da recuperação do atleta e de suas limitações práticas.
Fontes e leituras
Os dados e as fontes publicadas por trás deste artigo.
- Abaïdia et al.: Effects of Ramadan Fasting on Physical Performance (2020) (pubmed.ncbi.nlm.nih.gov)
- Trabelsi et al.: Ramadan fasting and exercise performance, overview of systematic reviews (2024) (pubmed.ncbi.nlm.nih.gov)
- Demirli et al.: Protein sources at sahur and combat-sport performance (2026) (journals.plos.org)
- Ong et al.: Ramadan fasting, strength and power in martial-art athletes (2026) (journals.sagepub.com)
- Aspetar: Ramadan Fasting and Exercise for Healthy Individuals (aspetar.com)
- MMA Fighting: Khabib Nurmagomedov teases September return (2020) (www.mmafighting.com)
- MMA Fighting: Khamzat Chimaev bows out of UFC 300 main event sweepstakes (2024) (www.mmafighting.com)
- MMA Fighting: Chimaev foot surgery and post-Ramadan return plans (2025) (www.mmafighting.com)
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